quinta-feira, 11 de março de 2010

BPitch vive!

A melhor compilação que ouvi nesse ainda jovem ano de 2010 é do também jovem detroitano Seth Troxler. Trata-se do BoogyBytes vol.05, que após muito custo, finalmente consegui baixar no Soulseek.

Uma excelente seleção de faixas techno, house e minimal (ele mesmo!) de primeira marca o mix de pouco mais de uma hora do promissor DJ & producer, que aparece na capa na tradicional pose dessa série do selo Bpitch.

E, acredite ou não, o Seth até que saiu bem na foto se comparado com a cara de mongol do Kiki no primeiro número dos Boogybytes. Mas só mesmo a dona do selo, a madame Ellen Ellien, que apareceu com uma boquinha bem sugestiva no disco que falei a respeito por aqui no passado, proporcionou uma imagem digna de elogios nessas 5 edições da compilation.

E se o melhor CD mixado do ano pertence ao BPitch, uma das melhores faixas lançadas em 2010 também saiu pelo clássico label de Berlim. Trata-se de um remix dum tal de Thomas Müller para a música Immolate Yourself, do finado duo Telefon Tel Aviv. Aliás, a dupla é literalmente finada, já que um dos membros morreu em 2009, pouco depois de lançar o ótimo álbum do mesmo nome da faixa agora mixada. As coincidências, no entanto, acabam por aí, já que não foi ateando fogo no próprio corpo que ele faleceu, diferentemente do que o nome do disco pode sugerir.

E aí vai ela: Telefon Tel Aviv – Immolate Yourself (Thomas Müller Burning Man Mix) (download)

E pra baixar o Boogy do Seth, se vira na web!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

En la cadenza del samba

O DJ chileno Lucien Nicolet, dono do simplificado vulgo de Luciano, está no Brasil para uma breve tour. Chileno, pero no mucho, já que como ele não é bobo nem nada é radicado na Europa há muito tempo.

Ouvi sobre ele pela primeira vez por meio de um amigo, que nos idos de 2004 vivia em Londres e viu o chileno se apresentar na Fabric. Dono de um gosto musical bem parecido com o meu naquela época, o amizade ficou deslumbrado com o set que ouviu. E que certamente era calcado no minimal techno cheio de originalidade que desabrochava naqueles tempos.

Tive oportunidade de ver o dono do festejado selo Cadenza no D-Edge, em 2007, se não me falha a memória, num set muito bom. Habitué de locais apenas underground quando em visita ao 3º mundo, na turnê daquela ocasião o chileno também passou por uma ou outra das baladas de Floripa e redondezas. Certamente por ser um dos idealizadores e estrelas da noite Circo Loco, em Ibiza. Esse status chama a atenção de brasileiros desse meio mais do que qualquer que seja o som que o cara toque e/ou produza.

E eis que dessa vez a tour do cara inclui até a semi-farofa Anzu, além do Sul no carnaval e, é claro, o bom e velho D-Edge, onde ele se apresenta na quinta.

Luciano anda tocando algumas faixas pelas quais não tenho muito apreço. Há latinidade em excesso tanto no que ele vem tocando quanto nos lançamentos da Cadenza. De qualquer forma, ponto para o cara que pelo jeito tem conseguido agradar a gregos e troianos seguindo a mesma política sonora em relação a esses 2 públicos tão distintos. Coisa que seu conterrâneo estelar Ricardo Villalobos, pelo menos aqui nessas bandas, não consegue fazer.

Segue aqui um post sobre a Fabric Compilation que o cara assinou em 2008: Fabric 41


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

As 100 dos últimos 10

No blog do marrento Camilo Rocha, me deparei no começo da semana com a melhor lista de melhores disso, melhores daquilo que já vi na vida. Lá, ele elenca as 100 melhores músicas da década, separadas pelos anos em que foram lançadas. Obviamente que se tratando de um DJ, predomina o tutz tutz e músicas direcionadas para a pista. E eu nunca me identifiquei tanto com uma lista de the best of como nessa ocasião.

E ao ver tantos sucessos que tanto me agradaram nos últimos 10 anos, me senti tentado a criar meu próprio Top 100. E eis que com a ajuda do meu MP3 player, do CD case que ficava no meu automóvel até o meio da década e da lista do blog do amizade, escolhi as melhores dos anos 2000 de acordo com meus ouvidos.

Algumas delas (ou muitas) eu confesso que não consigo ouvir mais já há algum tempo. Mas elas tem seu valor e me senti obrigado a reconhecê-lo. Outras tantas também certamente ficaram de fora, já que elaborei tudo muito rápido.

E é bom dizer que a ordem abaixo não representa importância, nem nada do tipo. Na verdade, na relação abaixo, o negócio começa meio paradão e vai evoluindo até terminar com as mais eletrônicas. Apenas isso.

And here it goes:

Sonic Youth: Incinerate
Kings of Leon: Molly’s Chamber
Interpol: PDA e Obstacle 1
Queens of the Stone Age: Go With the Flow
Modest Mouse: Float On
The Strokes: The Modern Age
Massive Attack: Special Cases
The Arcade Fire: Rebellion (Lies)
Kasabian: ID e Club Foot
Bloc Party: Banquet e She’s Hearing Voices
Ladytron: Destroy Everything You Touch
Raconteurs: Steady as she goes
Franz Ferdinand - Take me out
Peter Bjorn and John: Young Folks
Justice: D.A.N.C.E
The Rapture: House of Jealous Lovers; The Devil e Sister Saviour (Blackstrobe Remix)
Hot Chip: Over and Over
Basement Jaxx: Where’s your head at
Depeche Mode: Precious (Michael Mayer Balearic Mix)
LCD Soundsystem: Yeah; Tribulations; Daft Punk is Playing in my House; All my Friends e Get Innocuous

Depeche Mode: Precious (Michael Mayer Balearic Mix)
Cut Copy: Hearts on Fire e Lights and Music
MGMT: Kids
The Chemical Brothers: The Golden Path (Ewan Pearson Extended Vocal)
Matthew Dear: Fleece on Brain
Alter Ego: Rocker
Dot Allison: Substance (Felix Da Housecat Remix)
Tiefschwarz: Warning Siren
Underworld: Two Months Off

Hercules & Love Affair: Blind
Aphex Twin: Windowlicker (Run Jeremy’s X-rated lick)
Anthony Rother: Punks e Father
Daft Punk: Voyage e Aerodynamic
Simian Mobile Disco: Hustler
Mylo: Drop the Pressure e Muscle Car (DJ T Remix)
The Klaxons: Gravity’s Rainbow (Soulwax Remix)
Junior Boys: Hazel (Ewan Pearson’s House Remix)
Vitalic: Poney Part 01
Lindstrom: I Feel Space
Claude VonStroke: Who’s Afraid of Detroit
Tomas Andersson: Washing Up (Tiga Remix)
King Roc: Pressure
Layo and Bushwacka: Love Story
Michel Cleis: La Mezcla
Aeroplane: Above the Clouds
Booka Shade: Darko e In White Rooms
Allen Allien and Apparat: Jet
Oxia: Domino
Audion: Mouth to Mouth

Unit 4: Bodydub (Tiefschwarz Remix)
Akabu: Phuture Bound (Ame Remix)
Dixon, Henrik Schwarz and Ame: Where We at
Guy Gerber and Shlomi Aber: Sea of Sand
Guy Gerber: Belly Dance
Gabriel Ananda: Doppelwhipper e Take Off

Nathan Fake: The Sky Was Pink (James Holden Remix)
Robert Babicz: Crystal Castle e Dark Flower (Joris Voorn Remix)
H-Man: 51 Poland Street (Extrawelt Remix)
Dubfire: Ribcage
Marc Romboy: Sunburst
Agoria: Code 1026
Sascha Dive: Down Edit (Argy Remix)
Heartthrob: Baby Kate
Dusty Kid: Core
Extrawelt: Fernweh e Soopertrack
Gregor Tresher: A Thousand Nights
Trentemoller: Moan (Radio Slave's Mix For K) e Prana
The Mole: For the Lost
Minilogue: Space
Deetron: Life Soundtrack (Radio Slave Remix)
Rex the Dog: Prototype
Solomun: Deadman
Tigerskin: Neontrance
Umek: Ricochet Effect
Stephan Bodzin: Treibsand e Bedford
Efdemin: Bergwein
Thomas Schumacher: Rotor e High on You
Mathew Jonson: Marionette
Cobblestone Jazz: India in Me
Anja Schneider and Sebo K: Rancho Relaxo
E com base na lista acima concluo que o LCD Soundsystem foi o que houve de melhor nos 00. E de longe, by the way.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Classics # 2

Dando continuidade ao Cow Molester Classics, aí vai o Essential Mix de que a dupla germânica formada pelos irmãos Ali e Basti Schwarz, o Tiefschwarz, conduziu na BBC’s Radio One no ano de 2006.

Abarrotado de faixas que se tornaram clássicos, o set de techno (que é o que predomina), house e electro é dark quase que do começo ao fim. E por volta do minuto 90 entra uma de minhas all time favorites: “Domino”, hit do francês conhecido pelo vulgo de Oxia lançado via Kompakt.

E aproveito pra fazer um alerta: se você é meio maníaco depressivo, recomendo distância. Mas o set é muito bom e não por acaso aparece nessa 2ª edição do Classics. E a tracklist abaixo não me permite mentir.

Tiefschwarz - Essential Mix May 2006 (download)

Tracklist
Damian Schwarz 'Ruidos y Frecuencias 1' (Apnea)
Anthony Rother 'Sleep' (Datapunk)
Hiem 'Zombie Party (Konrad Black Remix)' (Crosstown Rebels)
Chikinki 'Assasinator 13 (Ruede Hagelstein Remix)' (Killy Cuts)
John Tejada 'Forced Friction' (Palette)
Ricardo Villalobos 'What You Say Is More Than I Can Say (Isolee Remix)' (Sister Phunk) F*ckaponydelic 'Switch The Light' (White Label)
Pig & Dan 'Unknown Title' (White Label)
The Knife 'Pass This On (Bookashade Remix)' (Rabid Records)
Secondskin 'Hey' (Souvenir)
Depeche Mode 'Join The Revelator (Tiefschwarz Remix)' (Mute)
Riton 'Hammer Of Thor' (Souvenir)
Shit Robot 'Wrong Galaxy' (DFA)
Tobias 'Street Knowledge' (Logistic Records)
Madonna 'Unknown Title (Tiefschwarz Remix)' (White Label)
2000 And One 'Get Down' (Intact)
Oxia 'Domino' (Kompakt)
Superpitcher 'Enzian' (Kompakt)
Tadeo 'Granate Granada' (CMYK Music)
Night On Earth 'Rondec' (Kick Boxer)
Radio Slave 'My Beep (Roman Flugel Remix)' (Rekids)
Layo & Bushwacka! 'Life 2 Live (Loco Dice Remix)' (Omletto)

Os irmãos Schwarz num registro que já apareceu anteriormente neste blog.

domingo, 15 de novembro de 2009

Berlim

Por razões óbvias, desde que surgiu, este blog costuma falar bastante de Berlim. O techno nasceu em Detroit, a house music em Chicago, mas nenhuma outra cidade do globo terrestre contribuiu tanto para a música eletrônica nos últimos anos quanto a capital da Deutschland.

Aproveitando, então, que os 20 anos da queda da mureta foram comemorados na última semana, fica aqui meu tributo: disponibilizo para download o último CD, o 04, da série Watergate. Um nightclub da cidade que passou a lançar recentemente compilações assinadas por DJs habitués ou residentes de lá.

E esse é do Sebo K, DJ e produtor de techno que mais recentemente migrou para a modinha deep house e que coleciona vários hits (“Rancho Relaxo” e “Diva”, pra ficar em apenas 2) e sets da melhor qualidade em sua breve carreira. Ainda não ouvi direito, mas como os números anteriores da compilação agradaram, creio que esse não deve desapontar. E pelo pouco que escutei e vi na tracklist, o mix é mais deep house do que qualquer outra coisa.

Ah, e não custa lembrar que o CD nem foi lançado ainda. Valeu, Soulseek!

Tracklist
01. DOP - Intro
02. Rick Wade - Night Station
03. Koljah & Oliver Deutschmann - Eaten Back To Life (Exclusive Watergate Edit)
04. Mood II Swing - Move Me
05. DOP - Cold World
06. Session Victim - Contribute
07. Daze Maxim - Strange Things / Patrice Scott - Excursions (Reprise)
08. Blagger - Strange Behaviour
09. Agnes - Who Cares
10. Martyn - Elden St (Sebo K Watergate Edit)
11. RNDM - Wake Eld (Exclusive Watergate Edit)
12. Je Davu - Music Got You Movin (Exclusive Watergate Edit)
13. Guillaume & The Coutu Dumonts - The Pussy Sheppard
14. Sid Le Rock - Naked (DJ Koze Remix)
15. Nina Kraviz - Voices
Sebo K - Watergate 04 (download)

Tucano na capa? Bom, pelo menos lá não tem mais muro pra ele se acomodar...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Classics # 1

Em um de meus últimos posts falei a respeito do mau momento que a música eletrônica enfrenta no momento. E fiz questão de frisar que os anos de 2005 e 2006 foram os mais relevantes em tempos recentes em termos de qualidade e originalidade tanto de lançamentos quanto de DJ sets.

Este post vai inaugurar a série "Cow Molester Classics", por meio da qual pretendo disponibilizar alguns sets do biênio em questão que considero especiais. E começarei por um do australiano James Holden, dono do selo Border Community (ele é dono também de uma feiura bem peculiar), gravado no programa do vovô-garoto John Digweed na rádio inglesa Kiss 100, o Transitions, em abril de 2006. No fim daquele ano o DJ ainda passou por SP e se apresentou com maestria no impecável Nokia Trends.

Não tenho a tracklist do mix que dura por volta de 1h. Mas adianto que rola uma faixa do duo germânico Extrawelt, coisa do próprio Holden e de seu selo e ainda um ótimo remix também do James para uma faixa das mais sombrias do Depeche Mode. De ruim, tem as intromissões do Digweed durante o set com sua voz de morto-vivo, além da péssima vinheta da rádio que surge de vez em quando.

James Holden - Kiss100 04-09-2006 (download)

Breaking the law, breaking the law: James pagando de roqueiro vestindo uma Judas Priest t-shirt.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Uncle Gerald

Ricardo Villalobos deu uma longa (e boa) entrevista ao Resident Advisor. E entre muitas coisas, falou da origem da faixa “Caminando”, de seu parceiro Reboot, que conta com um sample do hino brasileiro anti-ditadura “Pra não falar que não falei das flores”, do compositor Geraldo Vandré. Faixa sobre a qual gastei algumas linhas num post com o singelo nome de Vai caminhar na puta que o pariu de tempos atrás.

E para minha surpresa, o chileno que se tornou uma das maiores estrelas da música eletrônica em todos os tempos revelou na entrevista que é sobrinho do Geraldão, que é, vejam só, casado com uma irmã de seu pai.

Intitulada Ricardo Villalobos: Sound brotherhood, a matéria com o sobrinho do Geraldo merece uma lida.

Será que tem algum disco do tiozão nessa coleção?

I bet they look good on the dancefloor - III


É da nobre marca de Massachusetts aka New Balance o último calçado que me balançou. Trata-se do veterano modelo 577, que tradicionalmente vem acompanhado de um “Made in England” impresso na língua e que foi relançado em 3 cores (azul, preto e vermelho).

O “Berlin Wall pack” é uma série que será lançada em dezembro em parceria com a loja berlinense Overkill e que faz referência ao fim do comunismo e a consequente queda do famigerado muro da cidade alemã.

E como a foto acima sugere, escolhi o vermelho. Vermelho em homenagem à ex-União Soviética, pelo que li no Hypebeast. E aí você me pergunta onde é que Berlim entra na história? Bom, as palmilhas são cobertas por fotos alusivas à derrubada do muro. E ainda bem que esses detalhes se restringem às desprezíveis palmilhas apenas, já que o Novo Balanço vem abusando ultimamente do excesso de cores e detalhes em seus pisantes. E esse me apeteceu justamente por ser clean.

E como esse post é meio fashionista (parafraseando Nelsinho Piquet: sorry guys!), aproveito para sugerir uma lida na resenha do evento Fashion Rocks, que aconteceu no Rio no último weekend. Hip hop de 3ª, celebridades de 5ª... Tudo foi muito bem descrito pela blogueira baseada em London Thais Mendes. Take a look: Fashion Rocks - Oi?

Tempos de crise

É com muito pesar que me vejo na obrigação de aceitar algo muito triste: a música “técnico” não é mais a mesma. Não sei se muito pela banalização da figura do Disc Jockey e da enxurrada de sets disponibilizados na web de tempos cá, sendo um cópia do outro em muitos casos. Sei que o momento é de profunda crise produtiva e não se vê faixas de house, techno e afins da mesma categoria do que os anos de 2005 e 2006, por exemplo, viram nascer com regularidade absurda.

Comprovando essa tese, 2 dos meus DJs & producers favoritos, o inglês Radio Slave e a polonesa Magda, protagonizaram os dois últimos números da compilação da Fabric e desapontaram. Eles que desde que despontaram tem mantido um ótimo nível nos DJ sets e faixas que soltam, além de se manterem sempre atualizados e longe de serem reféns de um único estilo. Tá certo que o Matthew Edwards aka Radio Slave, também conhecido como the uggliest DJ alive, é mais camaleônico que a Magda, que até por ser uma estrelinha do selo M_nus, tem suas raízes mais associadas ao minimal techno cabeçudo do selo, que pouco evoluiu desde que teve seu boom.

É bom dizer que o CD da Magda só sai em meados de novembro, mas por meio do bom e velho Soulseek já consegui downloadear. E o disco está cheio de músicas by M_nus, de figuras como Heartthrob, Marc Houle, Click Box...
Mas se as edições 48 e 49 da Fabric compilation não foram das melhores, ao menos o line-up reunido na celebração dos 10 anos do nightclub londrino agradou: Craig Richards, Terry Francis, Andrew Weatherall, Ricardo Villalobos, Steve Bug, Michael Mayer, Ivan Smagghe, Mathew Jonson (LIVE), Daniel Bell (DBX) (LIVE), Konrad Black, Swayzak (LIVE), Kenny Larkin (LIVE), Hipp-e, Halo, Fred Everything, Rub N Tug, Doc Martin, Daniel Wang. E tudo ao custo de 25 libras esterlinas. Só resta saber se corresponderam às expectativas. E pelas fotos da birthday party, a sensação que fica é que o público que se deslocou até ao nº 77a da Charterhouse Street, não foi dos mais elegantes.

Abra o olho, mas feche os ouvidos!


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

10 pra lá 2 pra cá


Como todo nightclub de grandes proporções, o local possui várias deficiências e não está imune, por exemplo, à maciça presença de frequentadores bizarros e completamente analfabetos no quesito som, não raros em clubs e eventos brasileiros ligados à eletrônica. No entanto, sempre permaneceu fiel a uma política sonora irretocável durante os 10 anos prestes a serem completados. Não por acaso, ainda deu origem a um selo e uma prestigiosa série de compilações.

Estou falando da Fabric, de London, um dos mais bem sucedidos e estabilizados nightclubs do mundo, objeto duma matéria no Resident Advisor onde vários personagens importantes dessa década de vida são ouvidos. E o link altamente recomendável segue aqui: Fabric: an oral history.

E se a Fabric completa 10 anos, o Blog do Cow Molester celebra 2 de existência. Isso num tempo em que os posts andam escassos, é verdade, muito por conta da falta de tempo. Mas ainda assim o blog continua de pé. E é o que importa.

Parabéns pra eles, parabéns pra mim! ;)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Podcast do bom

Não nutro muita simpatia pelos podcasts de música eletrônica que povoam a world wide web. Recebo semanalmente apenas os do Resident Advisor, da XLR8R e um tal de Ibiza Voice Podcast, que não sei quando nem como passei a receber.

Os do XLR8R muito raramente valem a pena e os do Ibiza Voice são terríveis, apesar de conduzidos por DJs de renome em algumas ocasiões. Já os do RA, que sempre primaram pela qualidade, ultimamente tem sido meio decepcionantes, mesmo quando protagonizados pelos grandes nomes do techno, house, disco e afins. Um bom exemplo é o dessa semana, o do sugestivo nº 171, em que o british-turkish Erol Alkan toca algumas faixas de péssimo gosto num set de pouco mais de uma hora.

Mas foi no próprio RA que descobri uma boa novidade (ao menos para mim é novidade) nos últimos dias. Adicionalmente aos podcasts disponibilizados toda semana, as matérias mensais dedicadas a determinados selos chamadas de Label of the Month vem sendo acompanhadas de um set com faixas do selo em destaque.

E o link a seguir traz o arquivo de todas as matérias, que podem ser downloadeadas de imediato, sem a necessidade do Itunes ou outras chateações do gênero: Label of the month.

A última matéria é dedicada ao Liebe*Detail, de Hamburgo, e dá de brinde um set mixado pelo dejota Matthias Meyer contendo apenas faixas do selo. Highly recommended by Cow Molester. ;)

Eis a bola da vez

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DJ T-Shirt


O desenho acima ilustra a capa do último disco do alemão Thomas Koch, o popular DJ T. Não gostei das poucas faixas que já baixei e ouvi até o momento. No entanto, pretendo downloadear por completo antes de julgar prematuramente o trabalho do fundador do Get Physical.

Mas a capa é muito nóis. E desde a primeira vez que a vi pude visualizá-la em forma de uma t-shirt. Uma autêntica DJ T-shirt! Com o perdão do trocadilho.

E hoje fui informado que parece que há mesmo tal camiseta à venda em algum lugar na world wide web. Enquanto isso fico no aguardo de informações adicionais.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vai caminhar na puta que o pariu

Acho Ricardo Villalobos um tanto quanto supervalorizado. Vi o chileno se apresentar apenas uma vez. Foi no Sónar/Nokia Trends de 2004, mas não tenho muitas lembranças de como foi. Depois disso, ele retornou ao Brasil mais umas duas vezes com apresentações concorridas e caras no D-Edge. Não vi nenhuma das duas e não posso opinar como ele se sai ao vivo. No entanto, não vejo nada de muito especial em suas produções nem nos DJ sets que já baixei. Mas é fato também que muita gente de respeito tem admiração pelo trabalho do amizade.

Villalobos lançou em junho, em conjunto com o alemão Frank Heinrich, conhecido pelo vulgo de Reboot, o EP "Baile/Caminando". A primeira faixa contém um vocal esquisito em espanhol e é de autoria do chileno. Meio techno, a letra parece que conta uma historinha de um “clubber alienado”, de acordo com o que li no Rraurl. Por aí já se percebe que o negócio não pode ser muito bom. A outra, produzida pelo Reboot, é meio minimal, meio house e traz um sample da voz de ninguém menos que a big shoe brasileira Simone cantando em português. A música é aquela do refrão “vem vamos embora, esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer”. Isso mesmo, a canção protesto dos tempos da ditadura de Geraldo Vandré!

Não sei se a intenção da dupla foi de inovar ou se simplesmente não queriam ser levados muito a sério. O que eu sei é que além de não simpatizar com vocais em português, tenho um baita trauma dessa música do Vandré. Minha mãe escutava incessantemente na vitrola Gradiente quando eu era criança pequena.
Além disso, a única produção eletrônica coberta de influências latinas que me agradou até hoje foi "La Mezcla", que o tal do Michel Cleis lançou pelo selo Cadenza, do também chileno Luciano, no começo do ano. Inclusive escrevi sobre ela num post recente. Mas o Blogger deletou tal post alegando que eu havia infringido leis de direitos autorais por ter disponibilizado a faixa para download. E me mandaram uma notificação que deu medo. Temi que o FBI fosse bater na minha porta.

Bom... Voltando ao EP, no Resident Advisor, a review rendeu uns 70 comments. Uns odiaram, outros amaram. O site deu nota 4 (out of 5) e justificou que foi principalmente pela faixa do Reboot. Dizem que é "one of Reboot's most epic productions yet."
Mas em nenhum momento citam que a faixa é cantada em português ou que é de autoria de um compositor brasileiro. Ou seja, crédito zero aos artistas do Brasil brasileiro.

No Rraurl, a resenha teve por volta de 50 comentários. Diferentemente do site gringo, no daqui, a maioria das pessoas detestaram, mas alguns poucos defenderam as produções com afinco digno de membros do alto escalão do fã-clube da dupla. E ainda soltaram que mais músicas brasileiras serão mexidas por Villalobos e seu pessoalzinho em breve.

É aguardar pra ver. E se for assim mesmo, fica aqui uma sugestão. Uma música que aposto que é a cara do que eles estão procurando. E vai com o nome do remix já incluso, para facilitar o trabalho do pessoal:
Caetano Veloso - “Debaixo dos Caracóis de seus Cabelos” (Villalobos donde están los caracoles remix).
A combinação Caetano/Villalobos ficaria incrível, não? É, acho que não.




E essa é a pérola abrasileirada do Reboot, num videozinho com referências ao São Paulo Futebol Clube.

terça-feira, 14 de julho de 2009

As twittadas enganam

Ontem, ao tornar-me oficialmente um twitteiro, tratei de me tornar seguidor do Resident Advisor. E minutos depois, me deparei com a seguinte atualização do RA espremida pelo limite máximo de 140 caracteres: "DJ japonês é preso por suspeita de fraude".

E eis que, por um instante, veio o seguinte à minha mente: como são sérios esses japoneses! Afinal, mandar pra cadeia um cara que engana os outros se passando por DJ é de uma rigorosidade de causar inveja ao saudoso Iraque do Saddam ou ao Irã do Ahmadinejad. Logo em seguida, lembrei também da grande quantidade de DJs picaretas que existe (e não para de crescer) no Brasil e pensei o quão abarrotadas ficariam nossas penitenciárias que já tem bandido saindo pelo ladrão caso isso rendesse cana também por aqui.

E minha incredulidade falou tão alto que me obrigou a checar o link que acompanhava a twittada do RA. E, obviamente, não era nada disso. O camarada foi preso por ter extorquido um outro cidadão japa. Cerca de 11.900 doletas. E alegou ter recorrido a esses métodos porque discotecar não dá dinheiro. O malaco nipônico ainda declarou ser impossível viver apenas disso. E se alguém tiver interesse, aí vai a noticiazinha vagabunda na íntegra: Japanese DJ arrested on suspicion of fraud.

E até que não seria má ideia mandar o hipster manezão do Steve Aoki para o xilindró.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cow on Twitter

Me cadastrei no Twitter meses atrás, mas hoje, apenas hoje me prontifiquei a postar pela primeira vez.

Dizem que se você não tem nada muito importante a dizer, o Twitter é o lugar ideal para você se manifestar. E é bem isso o que eu pretendo fazer. Só não sei até quando vai durar essa empolgação que já nasce meio combalida.

Ah, tenho 4 followers. 3 dos quais norte-americanos. E provavelmente pervertidos, já que certamente foram atraídos apenas pelo sugestivo nome “Molestador de Vacas”.

E já deixei 2 posts por lá: o primeiro sobre uma briguinha ridícula que vem sendo travada entre os maiores twitteiros do Brasil Tupinambá e o outro sobre minhas impressões acerca da cover art do último RA Podcast: http://twitter.com/Cow_Molester


Olha o passarinho...

terça-feira, 7 de julho de 2009

I bet they look good on the dancefloor - II



Pensando bem, o dancefloor não faria tão bem assim ao calçado acima. Calçado este da marca que recentemente deu uma festança num casarão no Rio de Janeiro recheado de símbolos alusivos ao nazismo. Era suástica pra cá, retrato de oficial nazi pra lá...

Bom, voltando ao pisante, trata-se de uma versão skateboarding para o clássico modelo Gazelle numa cor muito nóis. E como os mano do Bronx costumam dizer: "that orange in the back is dope"! E é bom frisar que usá-lo para andar de skate pode ocasionar tantos ou mais estragos quanto num passeio pelo dancefloor.

De acordo com o Hypebeast, por enquanto, o sneaker encontra-se disponível apenas numa tal de 8FIVE2 e na Adidas Originals Concept Store de Hong Kong.

E se por um lado o pessoal de Hong Kong teve a sorte de ter acesso ao pisante em primeira mão, nunca é demais lembrar que eles não são tão afortunados assim...
E é a própria marca oficial das 3 listras que faz questão de refrescar nossas memórias:





quarta-feira, 17 de junho de 2009

Borracharia

Seguem alguns registros do making off do tradicionalíssimo calendário da Pirelli do próximo ano estrelando algumas das delícias que enfeitarão paredes mundo afora. E se você não sabe, o malandrão no meio delas é o Terry Richardson, que além de fotógrafo responsável pela edição 2010 da folhinha, é também sósia do Cow Molester nas horas vagas. E clicando nas imagens pode-se observar com mais precisão que os mamilos das beldades foram alvo de uma censura não muito bem sucedida. Enjoy!






Got Milk?

Meia foda

O grupo inglês de elctro pop (definição mais ridícula essa) Hot Chip assina o último número da compilação Bugged Out. Os autores do hit Over and Over, que costumava estremecer as precárias estruturas do Milo Garage quando executado, surpreenderam positivamente demais no CD 01 do disco duplo selecionando várias faixas techno e outras house da mais alta qualidade. No final de 2007 eles haviam demonstrado certo conhecimento do assunto ao protagonizarem um Essential Mix na BBC.

O CD 02, por outro lado, eu diria que é lastimável. Uma mistureba de disco, pop, R&B e sei lá mais o que das mais desagradáveis. E a resenha do RA não me deixa mentir.

Baixei o disco (Hot Chip - A Bugged Out Mix) faixa a faixa no Soulseek, e como é meio trabalhoso disponibilizar 24 músicas uma a uma, recomendo que você se conecte ao programa de sua preferência e trate de dowloadear o quanto antes o CD 01. Porque a outra metade...

Eis a tracklist da parte que interessa:

01. Gas - Nah Und Fern
02. Theo Parrish - Space Bumps
03. Extrawelt & Morelle - Schmedding
04. Joseph Capriati - C'est La Vie
05. Philip Sherburne - The Claim
06. Armando - Don't Take It (Thomos Edit)
07. Harry Axt - Deliberately Selected
08. Florian Meindel - Blast
09. Conrad Schnitzler - 00/346 & 00/380 (Dandy Jack & The Queen Of Mars Remix)
10. John Tejada - Torque
11. Pig & Dan - Hope
12. Peverelist - Junktion
13. Cosmic Sandwich - Cosmic Sandwich (Cosmic Sandwich Remix)
14. Hot Chip - Take It In
15. Mark Henning - Moody Bastard
16. District One aka Bart Skils & Anton Pieete - One2One
17. Mory Kante - Yeke Yeke (Afro Acid Mix)
18. Ican - Chiclet's Theme
19. Dominik Eulberg & Gabriel Ananda - Eucalypse Now!
20. Alex Cappelli - Bloody Notes (Butch Remix)
21. Kollektiv Turmstrasse - Blutsbruder
22. Marc Romboy - Karambolage (Oxia Remix)
23. International Pony feat Khan & Snax - Bubble In The Bottle (Pepe Bradock Remix)
24. Max Cooper - I (Long Version)

Elenco do novo filme da série Porky's reunido? Não, eles são o Hot Chip.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Pelo mundo

O dólar já está praticamente de volta aos patamares pré-crise, mas o D-Edge tem preferido manter o pé no freio e, com isso, poucas atrações de renome tem aportado na Barra Funda. Acho que é o ano de mais baixa qualidade do nightclub desde sua inauguração, em 2004. Ainda assim reina absoluto na night paulistana.

E no final de semana acontece mais uma edição da tal da Kaballah. Evento que nasceu como rave de pissái israelita, mas que hoje em dia, além de praticamente ter riscado esse estilo lastimável da eletrônica de seu line-up, tratou também de abandonar o "rave" de seu nome. De acordo com o que li no site Rraurl, a festa agora se auto-intitula "evento do núcleo Kaballah". E se esse evento, assim como as demais grandes raves que ocorrem na região de SP, deram um grande passo ao abandonar ou, pelo menos, reduzir drasticamente o pissái entre suas atrações, podiam também dar uma variada nesses DJs gringos que trazem. O Stephan Bodzin foi um dos primeiros da era da despissaização. Aí trouxeram o careca umas 20 vezes. Cada mês ele vinha pra uma rave diferente. O Guy Gerber já veio umas 15 vezes. E a bola da vez é o italiano Dusty Kid, que não por acaso é alardeado como um dos maiores headliners do evento do tal núcleo. O cara tem vindo direto ao Brasil e já que é pra trazer um DJ de fora, podiam buscar opções inéditas ou mais inovadoras. Mas como não vou a esses eventos nem mesmo para buscar dinheiro, fica aqui apenas uma humilde observação. Ah, e a apresentação que eu recomendo para você que está com saco para se deslocar no sábado até Itú, é o live do duo tedesco Extrawelt. E o techno do Dusty também é ok. De qualquer forma, olhando para como eram essas festas poucos anos atrás, é inegável que houve uma bela evolução.

Mas se você está com tempo e dinheiro sobrando, e em vez de dar um pulo até Itú prefere dar uma passeada pela Europa, nesse mesmo final de semana a cidade de Barcelona receberá finamente a edição 2009 do festival Sónar, já devidamente descrito por aqui.

Em Londres, inaugurado no ano passado com um soundsystem de qualidade indescritível de acordo com os DJs que por lá passam, o nightclub Matter receberá no sábado uma noite do selo de progressive house Renaissance, e terá nos turntables, CDJs, laptops e afins os ultrapassados Satoshi Tomiie, Dave Seaman e Paolo Mojo. De interessante, apenas o live do Rex the Dog. Pensando bem, sou mais a tal da festa do tal do núcleo Kaballah. E por incrível que pareça, na mesma cidade, normalmente abarrotada de DJs de renome, a Fabric terá também um line-up bem fraco no mesmo dia com o destaque ficando por conta apenas do DJ e produtor holandês que é conhecido pelo vulgo de 2000 And One. Definitivamente, um final de semana atípico na terra do Big Ben.

E se a Inglaterra sofre dessas recaídas e não consegue abandonar de vez os DJs de progressive que brilharam no longínquo fim dos anos 90 e outros do drum'n'bass, a Alemanha prova que continua sendo a meca da boa eletrônica. Só para ficar em Berlim, o nightclub Berghain já recebeu nesse mês de junho atrações como Marcel Dettman, Len Faki, Prosumer, Ben Klock, Ewan Pearson, Will Saul, André Galuzzi... e vale dizer que muitos desses são residentes de lá. E no dia 26, o local recepcionará a festa de 10 anos do selo Gohstly, que é de propriedade do Matthew Dear, um dos meus dejotas favoritos. Além do texano Dear (como Audion), mais gente do selo como Derek Plaslaiko e Kate Simko também se apresentam.

Não, não é o alvo do câncer de mama.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

FC Cow Molester

Antes da final da UEFA Champions League entre Manchester United x Barcelona, há exatamente uma semana, vaticinei no blog do Daniel Piza, no Estadão, que o Barça se sagraria campeão, contrariando boa parte da “imprensa especializada” que de forma inexplicável, ao menos para mim, previa o contrário. Segue o link para o comment com ares de profecia: O favorito é a bola. No link pode-se também constatar algumas rusgas ocasionadas por minhas palavras não muito amistosas.
Bom, e caso você não saiba, o FC Barcelona realmente ganhou, e o fez com autoridade: 2x0, fora o show. Com o intuito de homenagear o time da terra do Sónar, aí vai um belo advertisement da Nike lançado nos últimos dias:

E se no passado a Nike explorava pessoas pobrezinhas de países paupérrimos para a confecção de seus produtos, nesse vídeo ela preferiu explorar, e como nunca, suas rivais. Samuca Eto’o, Titi Henry e Leo Messi são patrocinados por Puma, Reebok e Adidas, respectivamente. E é bem possível que outros atletas que aparecem no vídeo tenham contrato com outras empresas também. De qualquer forma, o pequeno argentino da Adidas tem tudo para ser coroado melhor futebolista do mundo ao fim da temporada. E a Nike só chupinhando imagens alheias...
And Cow Molester’s not only about tuts tuts!

sábado, 30 de maio de 2009

Watergate 03

O canadense Konrad Black, o popular Conrado Preto, assina o terceiro número da compilação daquele nightclub de Berlim que tem nome de escândalo político de Washington DC. As edições anteriores, ambas do ano passado, foram mixadas pelo turco Onur Özer e o germânico Sascha Funke, respectivamente.

Li ontem a resenha do Resident Advisor sobre o CD. De 0 a 5, deram 2.5. E choveram protestos dos leitores pelo rigor excessivo da avaliação. Ao me deparar com a boa tracklist, desconfiei mesmo que algo estava errado. Tratei, pois, de baixar o disco e gostei. E dou nota 4 ao mix do Conrado que segue abaixo.

E além de discordar da nota dada pelo RA, também não concordo que o disco seja apenas de minimal, como lá definiram. De acordo com meus ouvidos, algumas faixas são mais houseiras do que qualquer outra coisa.


Watergate 03 mixed by Konrad Black (download)


Tracklist:
01. Alex Cortex - Nachttarif
02. D. Diggler - Silicone
03. Raudive - Cone (Edit)
04. Loco Dice - Breakfast At Nina's (Onur Özer Mix)
05. Konrad Black & Martin Buttrich - Siamese Connection
06. Matthew Dear & Seth Troxler - Hurt
07. Stephan G - Shass
08. Queen Atom - Enemy Of Time (Cesare vs. Disorder On Time Edit)
09. Louderbach - Shine (Thrill Cosby's Broken Door Mix Vox. Dilo)
10. Ben Klock - Sub Zero
11. Discogs - Real Love EQ (Italy Version)
12. Paul Ritch - Evil Laff (Konrad Black Remix)
13. Mathew Jonson - Walking On The Hands That Follow Me

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sónar dos mil y nueve

Terra das obras de Gaudí, do museu de Pablo Picasso, do Camp Nou com seu desfile de artistas da bola, dos bambas de la puta madre e dos jovens metidos a moderninhos, Barcelona também é terra do Sónar, o festival de música e arte que se tornou habitual na capital catalã e que no ano de 2009 acontecerá entre 18 e 20 de junho. O site Resident Advisor começou nos últimos dias a contagem regressiva para o festival que segundo eles –e acho que pra torcida do Barça e do Real Madrid também- é o melhor que teremos no mês de junho. Entre bandas e DJs, tem isso aí: Orbital, Grace Jones, Animal Collective, Mujava, Fever Ray, RRIICCEE feat. Vincent Gallo, Richie Hawtin, Crystal Castles, James Murphy & Pat Mahoney (LCD Soundsystem disco set), Late Of The Pier, Jeff Mills, Moderat, La Roux, Little Boots, dan le sac vs. Scroobius Pip, Deadmau5, Carl Craig, Crookers, Filastine, Buraka Som Sistema, Joker, Luomo, Martyn, Beardyman, Konono Nº 1, Micachu and The Shapes, Roland Olbeter + Tim Exile + Jon Hopkins, Alva Noto, Agoria, Breakbot, Young Fathers, GoldieLocks, Bass Clef, Bomb Squad, DSL, Jamie Woon, SebastiAn, Lars Horntveth + BCN216, Marcel Dettmann, Heartbreak, Busy P., Ebony Bones, Institut Fatima, The Gaslamp Killer, Mike Slott, Culoe de Song, Natalia Lafourcade, Tarántula vs. La Orquesta del Caballo Ganador, Rustie, Bullion, Cécile, Mary Anne Hobbs, Michna with Raw Paw, Rob da Bank, Muhsinah, Cardopusher, James Pants, Erol Alkan presents Disco 3000, ...

E pra quem ainda não sabia, é isso mesmo. O Sónar 2009 será palco da ressurreição da dupla britânica Orbital, que havia se aposentado em 2004 e vem sendo apresentada como maior headliner do festival. Um dos maiores nomes da eletrônica dos anos 90, um dos primeiros concertos eletrônicos que presenciei foi do Orbital dos irmãos Hartnoll nos idos de 1999, no Free Jazz Festival. Fui até lá especialmente para ver outra dupla, os americanos do Crystal Method, de quem eu havia me tornado fã após o lançamento do excelente álbum Vegas. No final das contas, saí de lá meio desapontado com a performance dos autores do hit Busy Child, porém impressionado com a apresentação do Orbital e seus hipnotizantes capacetes luminosos. E confesso que praticamente não conhecia a dupla até então. E também tenho que confessar que não fui atrás de muita coisa deles a partir dali. Como show eletrônico, porém, foi certamente um dos melhores dos muitos que vi nesses cerca de 10 anos.

Bom, isto posto, vale agora dizer que o intuito deste post é de apenas servir como uma homenagem ao Orbital pela importância que tiveram na formação e no aprimoramento do primoroso gosto musical eletrônico do Cow Molester.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Richieculous

Dono do selo M-nus, o produtor Richie Hawtin é um homem cheio de ideias (se você ainda não sabe, com a reforma ortográfica a palavra idéia abandonou o acento). E quando se tem muitas ideias é meio inevitável que algumas -ou muitas delas- acabem sendo um tanto quanto imbecis.

E a londrina FACT Magazine tratou de listar as 10 ideias mais ridículas a já terem vindo à cabeça do minimalista canadense. E pegaram um pouco pesado. Lembra um pouco o Cow Molester das antigas.

Começaram meio light elegendo sua linha de roupas recém-lançada, passaram por seu Twitter, por sua tradicional franjola e nem mesmo a sexualidade do rapaz pouparam. Nos comentários, um usuário lembra que o vídeo que traz Hawtin e Sven Väth se pegando faltou na lista. Concordo. E como o registro já apareceu por aqui, aí vai ele: He's back!

E como ridiculisse pouca é bobagem, no final há ainda um bônus que traz as 5 fotos mais ridículas já estreladas por Mr. Hawtin. E que fotos!

Segue o link com o top 10 completo: Richie Hawtin's 10 most ridiculous ideas.

Richie num tempo em que, aparentemente, as ideias andavam meio escassas.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Reviews @ Rraurl

Desde a semana passada está no ar no sítio Rraurl uma resenha que elaborei sobre alguns EPs lançados no ano. São breves análises de singles postos no mercado pelos produtores Guy Gerber, Isolée e pelas duplas Pig & Dan e Tiefschwarz.


Os irmãos Schwarz em ação no saudoso Nokia Trends paulistano de 2005: tempo em que eles eram mais "cool".

segunda-feira, 27 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

Time Warp 2009

Conforme alertado por este blog no post Festivais lá e cá, no último dia 04 de abril ocorreu na Alemanha a edição de número 15 do festival Time Warp.

Descolei nos últimos dias trechos de 2 sets do evento. Um é da estonteante balzaquiana Monika kruse enquanto que o outro é de uma figurinha com presença maciça no blog: o granpa do tuts tuts Sven Väth.

O set da Monikinha é marcado por altos e baixos e a melhor faixa começa a ser tocada por volta do minuto 40. Mas como tenho apenas 43 minutos da apresentação, a música lamentavelmente não é executada por completo. Aliás, recém-lançada pelo inglês Matthew Edwards aka Radio Slave, a tal faixa se chama RJ. Só não sei se o título tem a ver com algum tipo de homenagem à cidade maravilhosa.

Cheio de energia, o set do Sven surpreendeu positivamente por não contar com nenhuma produção presente na sua compilação The Sound of the 9th Season. E pra manter a tradição, há ainda suas habituais intromissões durante o set com aqueles urros tão característicos e desnecessários. Abaixo, um vídeo com um trecho da apresentação do Cocoon boss em que ele toca uma música dum EP lançado há pouco pela dupla tobias. (é assim mesmo o vulgo do cara, com minúscula e ponto final) e Efdemin:




E, enfim, os 2 sets para que sejam devidamente downloadeados:

Sven Väth - Time Warp 2009 (download)

Monika Kruse - Time Warp 2009 (download)


Got milk?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Suruba eletrônica

Eu não nutria muita simpatia por esse cara como produtor nem DJ. Aí, no ano passado, ele veio com um excelente remix para a música Dark Flower do Robert Babicz e me fez refletir. Não por acaso, elegi o tal mix, batizado de Magnolia por seu autor Joris Voorn, o melhor de 2008.

E enquanto eu ainda apreciava a Dark Flower mixada veio a notícia de que Voorn lançaria um CD duplo contendo mais de 100 faixas no total. E como já não sou muito chegado em compilações que reúnam mais de 20 músicas, confesso que imaginei que viria merda. Pouco depois chequei a tracklist divulgada antecipadamente e constatei que ela era abarrotada de nomes de peso: Ricardo Villalobos Radio Slave, Minilogue, Sascha Funke, Paul Kalkbrenner, Solomun, Joakim, Âme, Carl Craig, Aphex Twin... E eis que surgiu uma dúvida: quanto tempo o amizade vai tocar de cada faixa?

Após ler a resenha do disco no Resident Advisor no mês passado sem prestar a devida atenção, tratei de baixar o Balance 014 apenas no último final de semana. E a surpresa após ouvir o CD 01 foi das mais agradáveis. House, techno e tech-house de excelente qualidade predominam em boa parte das muitas faixas selecionadas. O CD 02 fica bem abaixo do primeiro, mas ainda assim é bom, embora seja bem mais calminho e contenha vocais e faixas melódicas em excesso. E respondendo a pergunta mais acima, fica difícil saber quanto tempo cada música é tocada e até mesmo quando cada uma entra ou sai. Ninguém é de ninguém. E aqui isso é bom.

Historicamente tão tolerante com as drogas, nos últimos anos a Holanda vinha cada vez mais reforçando e até mesmo exportando essa sua tradição com a criação da festa Sensation e com as performances de Tiësto, Armin Van Buuren e Fedde Le Grand, entre outros, ocorrendo mundo afora.

Dessa vez, no entanto, um filho das Netherlands resolveu dar uma inovada e fez bonito, e embora ainda seja abril, considero bem provável que Balance 014 figure como the best compilation of 2009 lá pelo fim do ano. Especialmente levando-se em conta o disc 01.


Joris Voorn - Balance 014 CD 01 (download)

Joris Voorn - Balance 014 CD 02 (download soon)


Ah, e mais um ponto pro Voorn por ter balançado a cabeça na capa do Balance impossibilitando a apreciação de sua bela face. Sugiro o mesmo para o John Digweed, o Ali Dubfire e outros não muito bem apessoados que adoram poluir capas de discos com poses dignas de estrelas do trance.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Brazil's finest on BBC

O canadense Tiga tocou ontem em São Paulo. Se apresentou no D-Edge a preços de Pacha. E na madrugada de hoje para sábado ele será o protagonista do Essential Mix, na Radio One. Pelas minhas contas trata-se da 2ª passagem do DJ metrosexual pelo programa da BBC, já que em 2006 ele também esteve por lá. E se saiu bem.

E se entra Tiga, sai Gui Boratto. No sábado passado, dia 28, foi o produtor paulistano que acabou de lançar o álbum Take My Breath Away, pela Kompakt, quem conduziu o programa da BBC. Desde então o set encontra-se disponível no site do programa.

Na introdução do EM, Boratto, que é apresentado como “Brazil’s finest” pelo xarope do Pete Tong, mostra sua faceta piadista e diz que é de São Paulo, uma "small village of around 20 million people".

E como ele nunca se apresenta em DJ sets, o EM é composto apenas por faixas e remixes de sua autoria. Não achei grande coisa, mas foi melhor que os lives dele que andei presenciando nos últimos tempos. Talvez por haver pouquíssimas faixas do álbum Chromophobia, que eu reconheço que é muito bom, mas que já deu o que tinha que dar.

Mesmo assim, algumas músicas tocadas nas 2h do set são de qualidade bem duvidosa. O ponto mais baixo é atingido quando um remix do próprio Boratto pra uma faixa dos Pet Shop Boys entra em ação. Antes de checar a tracklist eu jurava que a canção era obra do David Guetta. O destaque positivo fica por conta da faixa inaugural. Um remix do brasileiro para Acid Burn do produtor yankee Billy D'Alessandro. Tracklist completa.

Como baixei o Essential Mix no grande Soulseek no decorrer da semana e a partir de amanhã ele não pode mais ser ouvido no sítio do programa, aí vai ele para download:


Gui Boratto - Essential Mix 28/03 (download)

*Nota do Cow: 3.4 (out of 5)


Boratto brincando de fazer tuts tuts


PS: Chegados numa badalação, os organizadores do Skol Sensation escalaram o DJ brasileiro mais badalado do momento para, juntamente com alguns tranceiros gringos, compor o line-up do evento descrito no post anterior. E é ele o encarregado de fechar a celebração à vergonha alheia que acontece no Anhembi.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Festivais lá e cá...

O tradicional festival alemão Timewarp celebra em 2009 sua 15ª edição. Tá certo que a Alemanha tem a mais forte economia da Europa e que os DJs do primeiro escalão mundial quando não são de lá são de países próximos. Mesmo assim, é de impressionar a qualidade das atrações escaladas. Divulguei num post do ano passado o line-up que o Time Warp reuniu em 2008, e as mudanças em relação ao ano atual são mínimas. Parece ser aquela velha máxima em ação: em time que tá ganhando não se mexe. E a edição de 2009, que mais uma vez ocorre na cidade de Mannheim, terra da ex-tenista narigudinha e dona de um belo par de pernas Steffi Graf, terá o seguinte line-up:


Mas como nada é perfeito nesse mundo, tem um ou outro enganador lá no meio como, por exemplo, o DJ bola 8 aka Carl Cox. Mas esse é praticamente o único que destoa. Levando em conta apenas as atrações eletrônicas, o Time Warp é certamente superior ao barcelonista Sónar e o californiano Coachella. Talvez apenas o DEMF de Detroit seja páreo.

Mas enquanto o Time Warp celebra mais um ano de vida em terras germânicas, em terras paulistanas o agonizante Skol Beats parece ter finalmente batido as botas. Porém, antes mesmo de ser divulgada uma nota oficial de falecimento, ele já ressuscitou. E isso na forma de um bizarro festival que irá reunir uma jacuzada vestida de branco mexendo o esqueleto sob o efeito de doce, bala, cachorro quente, Absolut, champa e Ballantine's, dentre outras substâncias, ao som de estrelas internacionais do trance. Bom, é importante parabenizar os organizadores por, pelo menos, terem escalado DJs que tem a ver com o público que atenderá o Skol Sensation, já que a música, afinal, é secundária. Pra quem ainda não sabe, essa festa é para aqueles que se orgulham de ser VIP, ou ambicionam se tornar um. Na verdade é mais pra esse 2º grupo. Não por acaso, há um tipo de ingresso que oferece a possibilidade de você se deslocar ao evento de limousine após encher o bucho no Buddha Bar da Daslu. Só não sei se um desvio na rota para visitar a dona do estabelecimento no xadrez também está incluso. De qualquer forma,dá-lhe vergonha alheia!

Como essa será apenas a 1ª edição do tal do Skol Sensation no Brasil -o evento também já ocorreu na Europa provando que o mau gosto não é exclusividade do brasileiro- não vou postar vídeos de edições anteriores, mas sim uma amostra do pessoal que atenderá o evento. Pessoal alegre, "bonito", amante das grifes, que sabe como viver a vida e que abunda cada vez mais nesse Brasil! Fica aqui a torcida para que a tal da crise econômica produza logo algum efeito positivo. E atenção: O vídeo a seguir contém cenas mais feias que a fome ou que bater na mãe por mistura. Cuidado!


quinta-feira, 26 de março de 2009

Defecando pela boca

Diogo Mainardi se meteu a falar de Kraftwerk e Radiohead em seu último podcast no site da Veja: http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi

E mostrou que como crítico musical é um ótimo corneteiro político.

Gosto do cara, assim como dos corneteiros em geral. Até porque também me considero um. Mas é aquela coisa, quando o cidadão se mete a falar de um assunto que não domina o resultado não costuma ser dos melhores. A sra. minha mãe é uma pessoa muito inteligente e bem sucedida no que faz, mas em tempos de Copa do Mundo costuma falar de futebol com mais “propriedade” que o Franz Beckenbauer. E isso sem nem mesmo conhecer direito a regra do impedimento. Aí já viu...

E aposto ainda que 90% dos listeners do Mainardi Podcast julgarão suas palavras inteligentíssimas e até dirão coisas como “olha que maravilha, até de música do estrangeiro esse danado entende!”


terça-feira, 17 de março de 2009

Compromisso com a história



RUY CASTRO

O Caso da Coxinha Envenenada

RIO DE JANEIRO - Na semana passada, em Conchal (172 km de São Paulo), uma mulher serviu um prato de coxinhas ao marido. Este salivou profusamente e atacou uma delas com disposição. Mas, na primeira engolida, sentiu um gosto estranho e comentou que o quitute não estava nos padrões a que ela o acostumara. A mulher deu um sorriso amarelo e disse que devia ser a pimenta-do-reino.O homem fez "Grmff!" e repassou as coxinhas a seu cachorro, que o olhava com ar súplice, debaixo da mesa. O animal, fraco em etiqueta e de paladar menos sofisticado, devorou a porção quase de uma bocada. Ato contínuo, deu um ganido grosso, irreal, como se dublasse a si mesmo, revirou os olhos e estatelou-se, morto, na sala.Desconfiado, o marido correu para o pronto-socorro, onde o velho clister entrou em ação. Diante da suspeita de envenenamento, a mulher confessou tudo ao delegado. Tinha desviado R$ 15 mil da conta de ambos e temia que ele descobrisse. O jeito era matá-lo. Simples assim. Mais um pouco e, por causa de uma mixaria, a coxinha iria juntar-se à empada que matou o guarda, em matéria de estigma.Que eu saiba, nenhuma "mídia impressa" deu esta notícia. Devem tê-la achado banal. Fosse um sushi envenenado, quem sabe. Ou blinis de caviar. Mas o fato de os jornais terem esnobado o caso da coxinha não significa que ele não tenha sido amplamente divulgado. Em 12 páginas do Google, 150 portais, sites e blogs, dos mais potentes aos mais humildes, trataram da história com a necessária competência.Alguns deles: Fervendo, Mais Barulho, BlogGlubGlob, Vírgula, iParaíba, Anastácio Notícias, O Que a Bahia Quer Saber, Sanatório de Notícias, E Agora José? e Minhoca na Cabeça. É a prova de que, não importa se relevante ou irrelevante, nada mais passa em branco pela história.


Acima, a coluna do Ruy Castro da última quarta, dia 11, na Folha de S. Paulo. Nela, ele destacou a importância dos pequenos e aparentemente insignificantes blogs que povoam a world wide web. E apesar de não ter aparecido por aqui o caso da coxinha envenenada, me identifiquei bastante com as palavras do autor das biografias de Nélson Rodrigues e Mané Garrincha. Tudo porque o Blog do Cow Molester foi um dos poucos a falar do episódio do Grooverider com riqueza de detalhes, a mostrar o after-hours do Sven Väth junto dos amigos tontos que ele fez no litoral paulista e a divulgar que o selo do Digweed pagou jabá ao RA. Notícias do tuts tuts world que, definitivamente, não poderiam passar desapercebidas pela história. É nóis!

terça-feira, 10 de março de 2009

I bet they look good on the dancefloor

Parafraseando os Macacos do Ártico, aí vai o calçado da semana, o calçado que mais quero adquirir no momento, calçado este da marca do crocodilo. O modelo chama-se Missouri 85. E eu me pergunto a razão de terem escolhido o Estado do Missouri e não o do Idaho para dar nome ao pisante. O modelo já existe há algum tempo, mas a cor parece ser novíssima e encontrei no site da revista Complex aka the ultimate buyer's guide.

Combina até com as cores do meu blog. O único porém é a cor marrom que escolheram para as laterais. Marrom que lembra o das botas que o pessoal usa no Idaho para caminhar no pasto. Preto seria preferível.

Não encontrei o modelo nessa cor no Ebay nem nos sites das melhores lojas gringas. Portanto, se você aí do outro lado é um contrabandista de ninharias ou um sacoleiro internacional que não tem o Paraguai na rota, favor entrar em contato.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A hora e a vez do Kozalla

E o último número dos podcasts do Resident Advisor, O 145, é do grande Stefan Kozalla, o popular DJ Koze. Ele que elegi como melhor produtor de 2008 no último post daquele ano e que na foto do RA disponibilizada abaixo está idêntico a um amigo meu grande amante duma pinga, o Robertão. Big Bob que também é conhecido como Forma de fazer Lobisomen. Uma pena eu não ter uma imagem do amizade para compartilhar, pois a semelhança é realmente muito grande.

Voltando ao podcast, eu diria que até que é bom, mas é meio paradão e não tem muito a ver com seus sets costumeiros. Aliás, numa apresentação do Koze lá no D-Edge fiquei mais louco que o Sven Väth, certa vez. Culpa da mistura do som do cara com aquela famigerada substância que tem sido alardeada como menos nociva que o bom e velho amendoim.
OBS: Fiquei mais louco que o Väth, mas não a ponto de beijar o Richie Hawtin, nem nenhum outro peludo, como o grandpa do techno às vezes costuma fazer.

E o Koze disse o seguinte ao RA sobre o podcast: "I wanted to do a mix like a good radio show. It's more to listen than to dance, but who's dancing to the internet?" Não entendi muito bem o que ele quis dizer ali no final, não. Ou o inglês dele não é dos melhores ou sou eu que tenho que voltar às aulas na Mooca Idiomas. Uórever...

Tá aí de qualquer forma para ser downloadeado sem a necessidade do Itunes por quem se interessar. Segue também o link com a tracklist e uma pequena entrevista feita pelo site em que ele declara estar atualmente trabalhando num remix para o Audion: interview + tracklist.


DJ Koze - RA Podcast 145 (download)


E falando em sets e podcasts, vale lembrar que teremos 2 Essential Mixes dos mais interessantes agora em março. Dia 21 o programa da BBC será comandado pelo bom produtor germânico Marc Romboy, e na semana seguinte pelo arquiteto/DJ/produtor from Brazil Gui Boratto. Ele que disse num fórum do Rraurl, em dezembro passado, sob a resenha que escrevi do disco do Heartthrob, que as produções do selo M-nus são desprovidas de "musicalidade". Não vi essa musicalidade toda no disco que ele acabou de lançar - Take My Breath Away - e nas vezes que o vi tocar, suas apresentações não passaram de medianas. Entretanto, estou curioso para ouvir o que o mais bem sucedido deejay and producer do país irá soltar no programa do chato do Pete Tong lá na Radio One.

Abaixo, um vídeo estrelando o Kozalla que dizem que se você fala alemão it's funny as hell!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

RMC

Começou ontem no Rio a primeira edição do RMC, ou Rio Music Conference, primo pobre (paupérrimo, na verdade) da norte-americana Winter Music Conference (WMC) e da South American Music Conference, que ocorre anualmente em Buenos Aires. Dediquei um post no ano passado ao WMC explicando como é o evento que acontece durante o inverno da quente Miami.

A versão carioca é semelhante às duas outras no que diz respeito às discussões sobre os caminhos a serem trilhados pelo tuts tuts e as novas tecnologias da área, mas mandaram DJs gringos de quinta categoria para animar as muitas festas relacionadas ao RMC que ocorrerão na cidade maravilhosa. Escolhas típicas de gente que não entende muito (ou nada) do assunto. Com exceção do Sven Väth, que anda meio sem criatividade ultimamente e aposto que vai tocar em seu set apenas faixas de seu disco The Sound of The Ninth Season, do ano passado, os demais são atrações ou pra Pachá (entenda-se Morillo, Van Buuren, David Guetta e similares) ou pra uma festa do naipe daquela horrorosa Spirit of London (entenda-se o pessoal do D’n’B).

Vale dizer que as duas versões gringas citadas são inundadas por atrações classe A. Sobram quantidade e qualidade.

E como não poderia deixar de ser, os organizadores abusaram daquelas apresentações ridículas e mentirosas para suas “estrelas”, com o intuito de atrair o maior número possível de analfabetos em música eletrônica como aqueles apreciadores de axé que não puderam dar um pulo até Salvador para curtir os festejos de momo. Guetta, por exemplo, é chamado de “O MAIOR NOME DA HOUSE MUSIC MUNDIAL”. E eu provavelmente vivo em outro universo.

Mas confesso que minha maior expectativa a propósito do evento diz respeito ao Erick Morillo, o DJ americano de house farofa com visual de cantor de salsa que foi preso no final do ano, na Escócia, portando uma certa quantia de farofa num aeroporto. Tô louco pra saber se ele vai querer dar uma subidinha em algum morro carioca para farejar o ambiente.

Mas como em Glasgow ele pagou fiança e foi solto rapidinho, aqui as coisas seriam ainda mais simples pro DJzão mais brega do mundo. Resta, então, minha torcida para que instituam o quanto antes o Dubai Music Conference e que, obviamente, escalem o Morillão pra tocar. E que ele não tenha a mesma sorte do Grooverider! (a história do Grooverider here)

Morillo sempre na moda e a caminho do morro.


PS: A foto acima é certamente a mais queima filme que já postei nesse blog. Mas acho que ela expressa com exatidão what I’m talking about.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Perfect Timing

Ele já tocou no Skol Beats, no D-Edge e até mesmo numa XXXperience. Nesta última certamente por terem achado que devido a sua nacionalidade ele tocava psy trance. Presença constante em São Paulo, o israelense Guy Gerber começou bem 2009. Soltou, em janeiro, o single Timing pelo Cocoon, composto por 2 ótimas faixas. O rapaz do país que não se relaciona muito bem com os vizinhos e que ontem votou para eleger seu novo premiê, tem uma certa tradição em lançar boas faixas. Nos últimos anos saíram Belly Dancing, Sea of Sand, My Space, Late Bloomers…

O techno Timing parece uma evolução da faixa My Space que Gerber lançou em 2007. E Timing foi uma boa companhia para minha corridinha matinal de ontem, powered pelos meus novos fones de ouvido.

O lado B traz uma faixa mais minimal cujo nome, Guilty Pleasure, soa como uma homenagem aos obesos assaltantes de geladeira. Para a Phonica Records, a música "is a great chuggy number. After the break lots of noises and fx kick in and it's a true party number. "

*Nota do Cow: 4.1 (out of 5)

Guy Gerber - Timing (download)

Guy Gerber - Guilty Pleasure (download)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Mateus está de volta

E o primeiro post de 2009 chega sem muita originalidade. Tudo porque traz um DJ set de 2008 e fala sobre um cara que tem cansado de aparecer por aqui. Mas se falta autenticidade sobra qualidade, já que o Essential Mix que Matthew Dear conduziu na BBC em março do ano passado segue para download aproveitando que ele toca amanhã no D-Edge. Pelos meus cálculos, trata-se da 3ª vinda do norte-americano a São Paulo. As outras foram no Sónar/Nokia Trends, em 2004, e também no nightclub da Barra Funda no começo de 2006, ocasião em que estive presente e que falei a respeito no post Jabberjaw e a Kompakt Total 8 do ano que ficou pra trás. Enjoy!

Matthew Dear - Essential Mix 03/2008 (download)

Tracklisting:


Programme Intro
Matthew Dear ‘Dom & Sheri’ (Ghostly)
Hot Chip ‘No Fit State (Audion Mix)’ (EMI)

Marco Da Mata & Elle ‘Circling Dub’ (Acid Milk Recordings)
Santizzo, Makka ‘Goom’ (Supernova Digital)
Dapayk & Padberg ‘Theiss (Guido Schneider Remix)’ (Mos Ferry)
Guillaume & The Coutu Dumonts ‘My Main Man (Flying Filter Edit)’ (Hartchef Discos)
Reboot ‘Clear Motion’ (Below)
Reboot ‘Be Tougher’ (Cadenza)
E-Contact ‘Frozen Girls’ (Stock5)
Raz Ohara & The Odd Orchestra ‘Kisses (Over Temperature Mix I)’ (Get Physical)
Prompt ‘Evolve’ (7Noise)
Michael Ho ‘Break Free (feat. Lil Dirty)’ (Moon Harbour)
Prompt ‘Elephant’ (7Noise)
Supermayer ‘The Art of Letting Go (Ewan's The Art of Getting Low Dub)’ (Kompakt)
Ryo Murakami ‘Rise’ (Dessous Records)
Rozzo ‘I Wish I Was a Black Cat’ (Trackdown Records)
Jichael Mackson ‘Schnurz’ (Hartchef Discos)
Tim Woestenenk ‘Sunset Love’ (Quagmire)
Elflein & Fox ‘Map (Liebe Ist Cool Remix)’ (Synket)
D-Nox & Beckers ‘Shanghigh (Minilogue Remix)’ (Electribe)
Seth Troxler ‘Love Never Sleeps’ (Crosstown Rebels)
Life Lessons ‘Lee Curtiss’ (Unreleased)
Marc Neyen ‘Mad Suit (Pheek Remix)’ (Archipel)
Jichael Mackson ‘1000 Bugz feat. Blimp’ (Stock5)
Reboot ‘Tony Der Schieber’ (Combi Int.)
Kreon ‘Shake N Make (Reboot Remix)’ (Below)
Alka Rex ‘Ghost Convertibles’ (Musique Risquee)

Mat e seu Mac longe do conforto de um nightclub

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2008... The best of

Seguem algumas de minhas preferências eletrônicas no ano prestes a se encerrar:


Melhor DJ: Phillip Sollmann, von Deutschland. Ele que é mais conhecido como Efdemin. Eu diria que desde 2007 esse DJ e produtor com nome de remédio pra dor de estômago tem protagonizado os melhores DJ sets por aí.


Melhor Produtor: O melhor produtor do ano vem de Hamburgo, a terra do hambúrguer. Trata-se de Stefan Kozalla e sua cara de oficial nazista (nem mesmo o bigodinho hitleriano é dispensado). Ele que é uma estrela da Kompakt e atende pelo vulgo de DJ Koze. Quando elaborei a resenha do Body Language 7 disse que suas 2 faixas presentes no disco (Zou Zou e I Want to Sleep) seriam presença certa nas listas de melhores do ano. Dito e feito. I Want to Sleep foi considerada nada menos que a melhor faixa de 2008 pela cúpula do Resident Advisor. E Zou Zou aparece também bem ranqueada no Top 30 deles. Ponto pro Koze, ponto pro Cow!



Nazi Koze



Melhores Músicas: I Want to Sleep e Abudinga (DJ Koze), Blind (Hercules & Love Affair), Promises (Pigon), Diva (Sebo K), That Beats Everything (Shed), Incognito (Radio Slave), Tight Laces (Loco Dice), Deadman (Solomun)…Vale dizer que não necessariamente nessa ordem e há ainda espaço para algumas outras que não pude me lembrar.


Melhor RA Podcast: Muita gente boa passou por lá, mas pouquíssimos agradaram. Meu voto vai sem muita convicção para aquele conduzido em julho pela dupla Pigon, da qual faz parte ninguém menos que Efdemin.

Melhor Essential Mix: Assim como nos podcasts do RA, a BBC escalou muita gente de primeira para comandar as 2 horas semanais do EM. Teve Audion, Luciano, Booka Shade, Loco Dice, Flying Lotus... E quando eu estava prestes a deixar esse espaço em branco e não coroar nenhum EM como the best of 2008, os veteranos escoceses do Slam vieram com um excelente mix de techno, house e suas variantes há apenas 10 dias arrebatando, assim, minha preferência. Tracklisting here.

Melhor Remix: Mais um que vem de terras germânicas. Trata-se da parceria de dois cidadãos que não aprecio muito. O gorducho feioso de cabelo chanel Robert Babicz, que inclusive vi tocar num decepcionante Mothership no ano, e o fuck face veterano Joris Voorn. E do casamento dos dois veio o Magnolia mix produzido por Voorn para a faixa Dark Flower, do Babicz. Um techno tranceado da melhor qualidade.




Robert Babicz - Dark Flower (Joris Voorn Magnolia Mix) (download)


Melhor DJ set: Efdemin, na festa de aniversário do Vegas. Como não poderia deixar de ser, veio do cara que escolhi como o melhor disc-jockey do ano.


Melhor Live: A dupla alemã Extrawelt num Mothership, no D-Edge. Confesso que estranhei a repercussão quase nula dessa noite na “imprensa especializada”.


Melhor Compilation: Não consigo apontar apenas uma. Gostei do Boogy Bites da Ellen Allien, do Watergate do amigo dela, Sascha Funke, e o CD 02 apenas do Sound of the Ninth Season, do vovô-garoto Sven Väth. Coincidência, ou não, dá-lhe alemãozada novamente.


Melhor Álbum: Essa eu passo.


Melhor Nightclub: D-Edge. Apesar de apresentar certos defeitos não há a menor condição de eleger outro lugar.


Melhor Sneaker Brand: Sempre ela, a nobre marca nascida em Massachusetts, o novo balanço aka New Balance.


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

E o Troféu Heater 2008 vai para...

Orbitalife, de Johnny D! Heater, para quem não sabe ou não se recorda é aquela insuportável faixa da sanfona lançada pelo selo Get Physical pelo produtor alemão Samim, aquele do bigodinho. No ano passado, de forma inexplicável, Heater figurou entre as faixas mais vendidas do Beatport, apareceu no idôneo top 30 anual do Resident Advisor e foi tocada por uma quantidade incalculável de DJs de primeira linha. Sem fazer o menor esforço, me recordo de antemão de sets de Sven Väth, Dominik Eulberg e M.A.N.D.Y. que continham a maldita sanfoninha de Heater.

Pra completar, comprovando ser realmente ruim, a faixa caiu no gosto de nossas FMs farofa também. Não por acaso, cansei de presenciar aquela típica fulerada conduzindo seus carros tunados pelas esburacadas ruas de São Paulo sintonizados na Energia 97 ou na Jovem Pan ouvindo Heater no talo.

É óbvio que Orbitalife, descrita por mim no post Body Language Vol. 7 Mixed by Matthew Dear como uma “faixa house que fica longe de exprimir o que há de melhor no estilo e que, de quebra, vem acompanhada de um suave, porém azucrinante vocal, que parece insinuar que a voz de Ed Motta vai entrar em ação”, não teve em 2008 o mesmo impacto que teve Heater em 2007, além de não apresentar nenhuma semelhança com a produção do Samim. Entretanto, a faixa que é muuuuuito desagradável, além de ter constado em charts de inúmeros DJs de respeito no decorrer do ano, apareceu ainda em compilações assinadas por Luciano (Fabric 41), Sven Väth (The Sound of The 9th Season), Matthew Dear (Body Language 7) e no álbum de celebração dos 10 anos do Circo Loco @ DC-10. E não duvido que tenha saído em alguma outra que eu não fiquei sabendo.

Desta forma, por mais ter se aproximado do fenômeno que foi Heater em 2007, Orbitalife (que foi lançada pelo selo Oslo) leva de lambuja o troféu Heater em 2008. Ah, acabei de constatar que ela está no recém-divulgado Top 30 de 2008 do RA. E ocupa nada menos que a 5ª posição do ranking.



Eis o pai da criança, o alemão (alemão mesmo?) Joãozinho D, que em 2008 deu as caras no D-Edge numa quinta-feira de outubro.


Segue a pérola de 2008 para download. Quanto a Heater, me recuso a disponibilizar. Até porque deletei essa merda do meu computador faz tempo. E dentro de breve Orbitalife deverá seguir o mesmo caminho...


Johnny D - Orbitalife (download)


PS: A faixa tech-house Una Pena, do alemão Stimming, merece uma menção honrosa também. A música é acompanhada por um vocal em español que parece feito sob medida para o acordeón de Heater. Apesar de também ter figurado no top 30 do RA, ela felizmente não caiu no gosto de muitos DJs durante o ano e assim acabou alijada da disputa do troféu Heater 2008.